
Levanto-me, meu Deus!
Levanto-me.
No espelho, que espanto.
Meu cabelo parece algo estranho.
Todo torto.
Deste tamanho.
Molho, mexo, penteio
continua o meu cabelo
todo torto.
Molhado, mexido, penteado,
mas todo torto.
Torto, torto,
o meu cabelo
Eu, tonto de sono.
Eu e o meu cabelo.
Rafael Gabriel
Do livro Informal
Não sou inferno
nem céu.
Sou o paralelo.
Sou seu
se você quiser
Sou céu no seu vôo,
se você puder.
Eu vou também
no seu céu
se você deixar.
A erva do seu chá.
Seu interno.
Céu interno.
Qualquer coisa.
Uma fenda.
Seu imbé.
Um réquiem invertido.
Substância que dilui.
O centro, o muro,
O prato, controle remoto.
Seu ímã, seu austro.
Sua ponte e livro sagrado.
Rafael Gabriel
Texto publicado e registrado
Paralelo Paraíso
Não
me acostumo de não querer estranheza
O meu verbo passado é sempre adubo
E o agora apesar de tudo é uma bela flor
A dor tão companheira está tão bela
na canção que eu fiz para você
Os acordes dissonantes são perfeitos
para os momentos ternos que invento
Tudo
em você é deslocado
Um atalho do equívoco
Tudo em você é nublado
E eu paralelo paraíso
Procuro
sua essência porque amo
sei lá o quê
Não há nada comum por aqui
É tudo contraponto de mim
E eu adoro nem entendo o porquê
Tudo em você me confunde
Da sua boca até costume
Tudo
em você é deslocado
Um atalho do equívoco
Tudo em você é nublado
E eu paralelo paraíso
Rafael Gabriel
Texto publicado e registrado
A tevê
A tevê
quero ver.
A tevê
quero ver.
Só quero ver
a tevê.
Eu esqueço
todo resto.
Fico estacado,
indolente,
babado.
Fico, eu fico
É fácil antever:
o mundo segue,
eu fico...
Rafael Gabriel
Do livro Informal
Só no livro
Eu
explico.
Eu sei algo.
Li num livro.
É tão simples.
É tão fácil.
Li num livro.
Tão mágico.
Tantos mundos.
Muitos sonhos.
O luminar todo.
Só no livro.
Rafael Gabriel
Do livro Informal
Luster, luz
Às
vezes, estou bem
Faço-me feliz
Explico-me tudo
Fico perto de mim
O que me sangra
engana por vezes
Finge estar coagulado
E é feito uma pedra quente
de sangue
Estou bem
Sou um homem
na completa toada humana
Trabalho, eu trabalho
Para onde
Cuido do meu jardim
O de plantas
O de sonhos, não!
Pago minhas contas
Telefone, para falar
Água, para beber
Luz para quê?
Luz, luz,
Luster, luz.
Rafael Gabriel
Texto publicado e registrado
Força maior seu plasma.
Explode violento.
Espontâneo genial.
Ponderado modelar.
Invólucro da magia transformada.
Invade, converge, diverge
Harmoniza, destoa, irradia.
Nosso coração, seu domínio
O mundo, seu servo.
Cigano absurdo...
Arcabouço da energia,
que paira e acumula
o mundo
e se transmite como agente
por milênios e milênios.
Velho, vigoroso,
cruel e sádico
Rasga como vento,
sempre, todo.
Inevitável, inefável :
Espectro pensamento
Rafael Gabriel
Texto publicado e registrado

Um
acha que é assim.
O outro senão.
Um impõe sua opinião.
O outro acata,
às vezes não.
Fica um clima esquisito.
Um impasse.
Todo mundo com cara de vinagre.
De outro jeito...
Um apresenta seu conceito.
Outro acolhe e também coloca o seu.
Fica uma coisa legal.
Uma boa discussão.
Fica uma coisa,
coisa de irmão.
Rafael Gabriel
Do livro Informal
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