
Mãe-Terra
luz
De Santa Cruz
Do céu azul
Terra do sul
Filha da América
Da
caatinga ao minuano
É um só grito de fome
A miséria desfraldada
Em mastro de dor
Terra-Mãe agonizante
A suplicar clemente
A pedir por piedade
A todo continente
Nas
fadigas rotineiras
De tantas mentiras
De amores declarados
Por tantos bastardos
Terra-Mãe já não crê mais
E fica a esperar
O dia em que seus filhos
Lhe possam amar
José Lourenço Aparecido
Publicada e registrada em 1988
Talvez você nem chegue
A ouvir meu canto
E nem entenda o que eu
Quero lhe dizer.
Mas eu insisto em cantar
Porque o canto
É a razão que eu
Tenho pra viver.
Mas se ouvir a minha voz
Quero que saiba
Que não sou menos,
Nem sou mais
Que esta canção.
Eu sou apenas
O que vai nas entrelinhas,
Na parte pequenina
Do refrão.
Eu sou apenas
A etapa de uma vida
Que, escondida, ainda
Teima em sonhar
E estou dentro
Do último verso
Do poema
Que nem pude terminar.
José Lourenço Aparecido
Publicada e registrada em 1988
Maria
menina
Da pele de jambo
Dos olhos morenos.
Menina Maria
Talvez não devia
Falar-te assim.
Mas minha Maria
Não consigo mais
Guardar só pra mim.
Por isso te peço.
- Maria me ame.
Maria
menina
Dos cabelos negros
Do sorriso lindo.
Menina Maria
Só sei o teu nome
Não sei quem tu és.
Mas minha Maria
Se preciso for
Me ponho aos teus pés.
Pra te suplicar:
- Me ame Maria!!!
José Lourenço Aparecido
Publicada e registrada em 1988
Maria
levanta bem cedo.
Sacola no ombro,
Criança na mão
E ainda enfrenta uma fila
Bem deste tamanho
Para a lotação.
Metade da vida na creche,
Metade da vida
Servindo ao patrão.
Mas o que Maria recebe
Não dá para o leite,
Sequer para o pão.
Maria que lava e cozinha
Que puxa a enxada
Que pega o podão.
Maria que volta à tardinha
Melada inteirinha
De tanto carvão.
Não chore Maria das Graças,
Maria das Dores
Ou da Conceição.
Não chore Maria da vida
Porque o seu pranto
Não é solução
José Lourenço Aparecido
Publicada e registrada em 1988
Um
colibri a vagar
eu sou.
Porem meu jardim
não tem flores.
Sou um poema
avulso,
Que não canta ou
descreve os amores.
Uma
onda marinha
eu sou,
Porém nunca na praia
toquei.
Sou uma gaivota
que baila no ar,
Mas pra aurora
eu nunca cantei.
Sou
enfim um poeta
vagante,
Submerso nos lamentos
meus.
Pois meus versos
de amor repleto,
Minha musa
nem sequer os leu.
José Lourenço Aparecido
Publicada e registrada em 1988
Outra vez nós dois
Deixar o mundo
Correr lá fora
Ver os ponteiros
Dobrar as horas
Beijar tua boca
Tirar tua roupa
E sem receio
Morder teu seio
Com tal delícia
Fazer carícias
De norte a sul
Do teu corpo nu
Com todo ardor
Fazer amor
E logo depois
Outra vez nós dois.
José Lourenço Aparecido
Publicada e registrada em 1988

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